Sousa El Shalom

O homem do carrinho de mãos

Para quem gosta de ler.

11/07/2019 22h08
Por: Nichollas Castro
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Sousa El Shalom
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Numa cidade grande, na imensa correria do dia a dia, acontecem várias coisas que não consideramos importantes e outras que chamam nossa atenção. Haja vista, uma figura muito peculiar que era um destaque observado por todos.

Um homem jovem, talvez quarenta anos,  não se sabia ao certo, ninguém também sabia em qual lugar da cidade ele morava, onde comia, se tinha parentes, ninguém tinha muitas informações.

O mesmo tinha o hábito de carregar consigo um carrinho de mãos, na verdade ele não ia jamais para nenhum lugar se não levasse o seu curioso carrinho de mãos. Para onde ele ia,  bairros, avenidas, rua acima e rua abaixo, sempre empurrando o carrinho.

O que muito despertava a curiosidade das pessoas, é que ele sempre estava com o carrinho vazio. O homem antes de alguém pensar o contrário, ele era muito lúcido. 

Um empresário de muito prestígio naquela cidade, homem muito rico, porém simples em seus tratos, era um grande amigo do homem do carrinho, e as vezes conversavam horas na calçada do prédio do empresário. Um dia, o empresário olhando para o carrinho, perguntou ao seu dono: Amigo, nunca entendi a razão do seu carrinho, ele sempre está limpo, nunca vi você transportar nada, antes de sermos amigos, achava que você trabalha para algum tipo de departamento, dado a existência do carrinho, perguntei uma vez e você disse que não, então porque o carrinho?

O dono do carrinho apenas disse: Um dia meu amigo, você entenderá.

Como de costume, o empresário pagou- lhe um lanche, e depois o mesmo o agradeceu e partiu.

Passaram-se vários dias que aqueles dois amigos não mais se encontraram. No final de uma tarde depois de um dia de trabalho cansativo, o empresário saiu para  retornar a sua casa. O caminho que o mesmo tomava era um trecho por fora da cidade, pois sua casa era afastada. 

Durante a viagem, aquele empreendedor notou uma grande formação de chuva adiante, que logo começou a cair, chuva muito forte, ventos velozes e o tempo um tanto escuro.

O homem observava atentamente, quando derrepente e de forma violenta, um galho de árvore bateu contra o parabrisa, o fazendo desgovernar o carro.

Menos que um minuto. Tudo estava silêncio, a chuva havia rapidamente cedido, e o carro havia capotado. O homem com muito esforço, conseguiu sair, tonto, ele sentou-se no acostamento, aguardando alguma ajuda.

Não demorou muito, ele ouviu um barulho e algo se aproximando. Para sua surpresa, era seu amigo com o carrinho de mãos, que perguntou ao acidentado: Você está muito ferido? Consegue andar?

O empresário surpreso com aquela situação respondeu: Não muito, sinto dores e acho que não consigo caminhar direito.

O homem do carrinho de mãos disse: Venha , lhe ajudo, entre no carrinho de mãos.

O empresário começou a entender, mesmo assim ainda era muito confuso.

O dono do carrinho continuou: Um dia você me perguntou o significado deste carrinho, e eu lhe respondi que você descobriria, mas jamais pensei que seria assim. Tenho feito muitos gestos como este ao longo de minha vida, mantendo- me vigilante nas estradas em horário de perigo, as praças e ruas em horas difíceis, até algumas muito perigosas da noite, carregando muitos ébrios, cuidando, tudo neste carrinho de mãos, não recebo nada em troca, mas sei que um dia terei meu retorno pelo meu empenho, e como você já havia me perguntado, esta é a verdeira razão do carrinho de mãos.

O empresário comovido falou: Ainda não tinha ouvido uma história tão linda como a sua, sua atividade é em função do bem, trabalha sem buscar reconhecimento, porém agora você terá reconhecimento, passe no RH de minha empresa, e se apresente amanhã. O homem do carrinho muito agradeceu.

Segue a vida, e deveria  este para nós ser um exemplo de altruísmo, desprendimento, amor e valor ao próximo. Na verdade este homem e este carrinho, são alegorias muito significativas, sendo que cada um de nós, devíamos ser como ele, um peregrino do bem, o peregrino do carrinho. E possuirmos um "carrinho invisível", seria um jeito de ajudar o outro na jornada às vezes bem difícil. Levar o outro nas horas complicadas, compreende-lo em suas limitações devaneios e vacilos, ou seja, carrega- lo em nosso carrinho de mãos invisível que seria o exercício de  nossa generosidade trabalhada. Abandonar nosso egoísmo, nosso olhar altivo na hora das falências do " ser igual".

Não nos estribarmos na tola embriaguez, que hora nos diz: Ah! Eu sou melhor, e ele, ela, falhou, não tem jeito.... Triste o ser humano que julga o outro asssim.

É inspirador, um "carrinho de mãos invisível". Que nós possamos desenvolver esta filantrópia em nossas vidas.

Curioso... Agora que escrevi esta história, lembrei de um lugar...

POR SOUSA EL SHALOM

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