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Brasil Coronavírus

Após contrair COVID, quanto tempo dura a imunidade contra o coronavírus?

Resultados apontam para cautela com a ideia dos passaportes imunológicos

23/06/2020 22h01
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Por: Nichollas Castro Fonte: New York Times – Uol
Anticorpo Coronavírus | Criador: Gilnature | Crédito: Getty Images/iStockphoto
Anticorpo Coronavírus | Criador: Gilnature | Crédito: Getty Images/iStockphoto

Desde o começo da pandemia do novo coronavírus (SARS-CoV-2), pesquisadores e cientistas têm se perguntado se todos os pacientes da COVID-19 produzem anticorpos contra o vírus e por quanto tempo essa proteção duraria no organismo. Agora, um estudo recém-publicado aponta que os anticorpos podem durar por apenas dois ou três meses após a infecção, especialmente entre os pacientes que não apresentavam sintomas.

Publicado pela revista Nature, esses resultados apontam para cautela com a ideia dos passaportes imunológicos, que em tese garantiriam que as pessoas que se recuperaram da doença não terão mais a COVID-19, mesmo meses depois. Dessa forma, poderiam circular livremente sem risco de disseminarem novos casos do coronavírus.

No entanto, especialistas alertam que a pequena vida útil dos anticorpos não tem, necessariamente, relação com o fato de que essas pessoas possam ser infectadas pelo coronavírus uma segunda vez. Isso porque mesmo que os níveis de anticorpos estejam baixos, há outras células protetores no sistema imunológico, como as células T e B, que devem ser consideradas.

Como funciona?

Para alguns coronavírus, como os responsáveis pela SARS e pela MERS, os anticorpos presentes no organismo das pessoas que se infectaram pelo vírus costumam durar cerca de um ano, e por esse motivo os cientistas esperavam que os anticorpos para o coronavírus SARS-CoV-2 pudessem durar pelo menos o mesmo tempo, o que não se mostrou verdadeiro.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores compararam 37 pessoas assintomáticas com outras 37 pessoas que apresentaram sintomas da COVID-19, em Wanzhou, na China. Após análise das amostras de sangue, a equipe descobriu que pessoas assintomáticas têm uma resposta mais fraca ao vírus do que aquelas que desenvolvem sintomas.

Além de uma amostra pequena de casos, os pesquisadores não consideraram a proteção oferecida por células imunológicas do organismo e nem investigaram a capacidade do corpo em produzir novos anticorpos quando é detectada a presença do coronavírus. A suspeita é que em caso de reinfecção, o coronavírus estimule uma eficiente resposta imune e evite a propagação do vírus.

Células do sistema imunológico

Para proteger o organismo humano contra invasores, o sistema imunológico conta com uma eficiente rede de células para rastrear e atacar agentes patógenos. Por exemplo, as primeiras células a serem ativadas são os macrófagos, que capturam “substâncias estranhas” no interior do organismo e alertam o sistema sobre a possível invasão.

Logo, dois tipos de glóbulos brancos, as células T e B começam a operar contra a invasão. Nesse cenário, as células T identificam o que os macrófagos capturaram e ativam um alerta que é direcionado para as células B. Só então os anticorpos aparecem para a proteção do organismo, produzidos pelas células B.

Os anticorpos são substâncias específicas produzidas para atacar um único tipo de invasor. Em seu ataque, elas cobrem o coronavírus, por exemplo, e os macrófagos atacam, em massa, essa formação. Depois dessa invasão, o sistema imunológico arquiva esse tipo de anticorpo para eventuais ataques, no futuro. Esses arquivos são chamados pelo nome de células de memória.

“A maioria das pessoas geralmente não têm consciência da imunidade das células T, e grande parte da conversa se concentra nos níveis de anticorpos”, explica Angela Rasmussen, virologista da Universidade de Columbia, sobre a complexa operação do sistema imunológico. Ou seja, mesmo que os anticorpos sejam baixos, a presença de células de memória podem evitar uma reinfecção pelo coronavírus.

O problema é que ainda não está definido em quais níveis essas outras células do sistema imunológico permanecem no organismo após infecção pelo coronavírus. Segundo o microbiologista Átila Iamarino, doutor em virologia pela USP, “Assintomáticos parecem perder imunidade (que pode ser medida), não sabemos se isso quer dizer que podem pegar o vírus de novo. Se puderem, mesmo se a infecção for mais leve, imunidade coletiva vai ser bem difícil”.

Queda nos anticorpos?

Em até três meses para pacientes assintomáticos, os anticorpos contra a COVID-19 caíram abaixo dos níveis detectáveis, ou seja, um exame de anticorpos não detectaria mais se a pessoa teve ou não a infecção. Por outro lado um segundo estudo chinês, publicado também pela Nature, demonstra que mesmo níveis baixos de anticorpos podem ser suficientes para impedir o vírus. Novamente, a pesquisa conta com um pequeno grupo de pacientes analisados: apenas 149.

“Parece que mesmo níveis baixos de certos anticorpos têm capacidade neutralizante potente”, afirma Rasmussen. “Baixos números de anticorpos não determinam necessariamente se um paciente será protegido contra reinfecção”, completa sobre os resultados da segunda pesquisa sobre o sistema imunológico de pacientes que contraíram o novo coronavírus.

Essa segunda pesquisa também descobriu que pessoas assintomáticas podem expelir o coronavírus quando infectadas e, além disso, fazem por mais tempo do que os pacientes que apresentaram sintomas. Essa descoberta “na verdade, pode sugerir que esses pacientes assintomáticos são realmente capazes de transmitir o vírus”, pontua Rasmussen.

No entanto, há mais um dilema, outros especialistas explicam que não é possível afirmar quão contagiosas pessoas assintomáticas podem ser, pelo menos não até agora. Para isso, mais pesquisas estão a caminho para desvendar o novo coronavírus.

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